Lua?
– A mãe da garota batia na porta do quarto, insistentemente, mas ela
não respondia – Acorde querida, vai se atrasar para a aula...
Há
semanas aquela cena se repetia. As noites da menina eram terríveis.
Ela não dormia direito há muito tempo, e quando acabava por pegar no
sono tinha sonhos horríveis. Mas nenhum pesadelo era pior que a
realidade. Acordar e constatar que teria de enfrentar mais um dia.
- Já vou, mãe... – Lua respondeu,
a voz sem sentimento algum. Pôde ouvir o suspiro que veio do outro
lado da porta trancada. Ela realmente estava tentando não preocupar sua
mãe, pois sabia que ela sofria vendo-a assim. Não queria ver a única
pessoa que ainda lhe importava triste. Mas estava cada dia mais difícil
tentar fingir que estava tudo bem.
- Ok, filha... O café da manhã está na mesa... Estou indo trabalhar.
O
silêncio se fez presente, até ser quebrado por barulho de passos. Sua
mãe provavelmente esperava alguma resposta, mas ao perceber que ela não
viria, seguiu seu rumo. Lua achou melhor não dizer mais nada, pois as lágrimas já estavam escorrendo novamente, e sua mãe talvez percebesse.
A
garota passou pela cozinha sem nem tocar no café da manhã, estava sem
fome. Pegou a mochila com o material do dia anterior mesmo, não faria
diferença, há dias ela não prestava atenção nenhuma nas aulas. Ia para a
escola apenas para não ser reprovada por faltas, mas se continuasse
assim, seria reprovada por notas. Não que perder o ano fosse algo que
lhe importasse muito, depois de tudo que já perdera. Nada mais lhe
importava.
Fez
o caminho para a escola a pé. Caminhou lentamente e silenciosamente.
Parecia um fantasma vagando pelas ruas frias da cidade, alheia a toda
movimentação, a todas as pessoas. Estava atrasada, mas isso também não a
incomodava.
Chegou
ao colégio quase trinta minutos depois do início da primeira aula.
Sentou-se em um banco do pátio e aguardou, impaciente, o início da
segunda. Quando o sinal finalmente tocou, ela subiu as escadas e se
dirigiu à sala. Bateu na porta e a professora de física a abriu.
- Novamente atrasada, senhorita Blanco? – Ela a encarou com desprezo. A professora não gostava nem um pouco da menina e não fazia questão de tentar disfarçar. Lua não dava motivos para que gostassem dela ultimamente, mas, de qualquer maneira, aquele sentimento era recíproco.
- A senhora notou? – Ela respondeu indiferente, entrando.
-
Cuidado com a forma como fala comigo, mocinha... – A garota, porém,
nem ouvia. Encaminhou-se para sua carteira no fundo da classe, mas a
frase seguinte da professora conseguiu despertar sua atenção – E espero
que seu trabalho tenha ficado muitíssimo bom, acredito que você não
queira ficar retida na minha matéria. Assim que terminar a apresentação
dos seus colegas, que a propósito a senhorita interrompeu... – ela
apontou para dois meninos parados em frente à turma e Lua acompanhou o olhar - ... será a sua vez.
- Minha vez? – Ela repetiu assustada. Esquecera totalmente daquele seminário.
- Sim, algum problema? – A professora sorriu satisfeita. Lua abriu
a boca para falar, mas não conseguiu dizer nada. Então um garoto, do
outro lado da classe, se levantou e respondeu por ela:
- Problema nenhum, senhora Hilton. – Ele se aproximou de Lua e a puxou pelo braço, fazendo-a se sentar e sentando-se em seguida, enquanto os outros meninos voltavam à sua apresentaçã
Nenhum comentário:
Postar um comentário