sexta-feira

Sete da Manhã




Capitulo 6

Os meses se passaram sem maiores acontecimentos significativos. Logo, o ano letivo estava prestes a terminar. Arthur se encontrava sentado observando Lua  arrumar algumas flores de plástico sob uma das mesas do ginásio, que estava totalmente decorado em tons de branco, azul e prateado. 

- Você podia me ajudar, né? 
- Por quê? Eu não sou da comissão de formatura... – O garoto se espreguiçou e sorriu. 
- Eu me pergunto todos os dias porque diabos me inscrevi nisso... – Ela suspirou. 
- Atividade extracurricular para ajudá-la a passar de ano? 
- Ah, sim, isso... Obrigada por me lembrar –  Lua  revirou os olhos e ele voltou a sorrir. 
- Você está fazendo um bom trabalho. Está tudo ficando lindo – Arthur informou enquanto olhava cada detalhe ao redor – O baile vai ser perfeito. 
- Espero que sim... – Ela não passou muita certeza enquanto se jogava numa cadeira ao lado dele. 
- Você vem? – Arthur perguntou se ajeitando pra poder vê-la de frente. 
- No baile? Claro que não. 
- Você fez tudo isso e não vai querer ver o resultado? 
- Não. Não venho e fim, você já sabe disso. 
- Se você me der três bons motivos eu aceito. Ou ficarei te atormentando cada segundo até amanhã à noite! – Arthur sorriu sapeca. 
- Hm, deixe-me ver... Um: eu não tenho par. Dois: eu não tenho roupa... – Ela enumerava nos dedos, sem dar realmente importância nenhuma àqueles fatos, estava simplesmente procurando quaisquer motivos – E três: eu não tenho vontade. 
- Um: você vem comigo. Dois: eu compro uma roupa pra você como presente antecipado de... Natal. E três... Tem como não ter vontade de estar ao meu lado? – Ele ergueu as sobrancelhas e ela não pôde deixar de rir. 
- Você não vai me convencer, Aguiar... 
- Ah, eu vou... 
- Eu te odeio! 
- Eu também te amo – Ele riu assim que ouviu as palavras de  Lua . Mas logo ficou sem reação, ao vê-la com o vestido lilás, os cabelos cacheados e a maquiagem realçando a beleza de seu rosto – Nossa, você está linda! 
- Não pense que vai me convencer com esse papo furado, Arthur Aguiar – Ela cruzou os braços e tentou fazer cara de má. 
- Você disse a mesma coisa ontem à tarde... 
- Vamos antes que eu me arrependa, pode ser? –  Lua  respondeu depois de uma pausa, fechando a porta de sua casa. Arthur estendeu o braço e ela aceitou. 
O colégio já estava bastante movimentado. Os dois entraram, ainda de braços dados, no ginásio, que estava ainda mais bonito do que no dia anterior. As pessoas se divertiam e a garota sentiu-se orgulhosa por fazer parte daquilo, se esquecendo por um momento dos motivos de não querer estar ali. 
- Olá, Aguiar! – Um dos amigos do garoto cumprimentou. Estava acompanhado de uma menina que Lua  não reconheceu e parecia um pouco bêbado. – Olá, menina! 
- Oi, menino... – Ela riu. Haviam se acostumado a se tratarem assim. 
- Pensei que você não viria... Achei que te lembraria do... 
- Cala a boca, Rodrigo – Arthur interrompeu antes que ele completasse a frase – Quer dançar,  Lua ? – Acrescentou para que o outro não pudesse falar nenhuma besteira. Ela aceitou, desconfiada. Estava achando cada vez mais estranho o tratamento do menino para com os amigos na frente dela, parecia querer esconder alguma coisa. Mas preferiu não comentar nada, não era muito diferente do que ela mesma fazia. 
A música que tocava era lenta. Quando se aproximaram do palco onde uma banda tocava ao vivo, Arthur segurou, sem jeito, a menina pela cintura. Ela colocou as mãos nos ombros dele e apoiou a cabeça em seu peito. Ficaram apenas assim, em silêncio, até ouvirem uma voz que dizia: 
- É um prazer muito grande estar aqui com vocês! – Era o vocalista do grupo, falando ao microfone. Ao dizer aquelas palavras, as pessoas ali presentes aplaudiram – Infelizmente, por motivos de força maior, a banda que tocaria cancelou a participação. Mas faremos o possível para não deixar a desejar. Vamos lá! 
Começaram a tocar uma música mais animada. Lua  e Arthur, porém, não se moveram. Pelo contrário, ela o abraçou com força. 
- Está tudo bem? – O rapaz se surpreendeu. 
- Aham... – Ela murmurou, mas o apertou ainda mais. Era estranho ver aquela cena em meio a todas as pessoas dançando e gritando, mas eles não se importavam. Na verdade, mal percebiam. – Vamos beber alguma coisa? –  Lua  perguntou de repente, se afastando e puxando-o pelo braço, sem esperar a confirmação. 
- Você não acha que isso é muito forte pra você? – Arthur perguntou vendo a garota virar a bebida que pedira em um só gole. 
- Você não acha que esse baile deveria ser somente para os formandos? – Ela ignorou o comentário dele. 
- Se fosse nós não estaríamos aqui, né? 
- Eu adoraria não estar aqui... –  Lua  foi grossa, mas ele pôde perceber a pontinha de tristeza na voz dela – Mais uma – Pediu ao barman, sentando-se ali. 
Arthur fez o mesmo, apoiando a cabeça nos braços sob o balcão do barzinho. Não queria brigar com Lua  agora, não estava se sentindo muito bem. A cada segundo achava ainda mais péssima a idéia de ter insistido em trazê-la aquele baile. Estava tentando enfrentar os seus medos e ajudá-la a fazer o mesmo. Mas não estava conseguindo. 
- Chega, Luinha... – Ele pediu tirando o copo da mão da garota na terceira ou quarta vez. Bebeu por ela e o colocou bem longe de seu alcance.  Lua  fez bico e cara de choro. 
- Sabe por que eu não queria vir nesse baile? – Ela perguntou – A banda do meu ex-namorado iria tocar... 
- Sério? – Ele tentou parecer interessado. 
- É... E ele tinha me prometido que nesse dia iria me apresentar pros amigos dele. Eu nunca entendi porque ele tentava me “esconder” dos amigos... E nunca vou saber – Ela mordeu o lábio, tentando segurar as lágrimas. Arthur bateu a cabeça com força no balcão, odiava mentir pra ela – O que foi? – Ele não respondeu – Ok, então eu vou voltar a beber. 
- Legal, eu te acompanho... – Ele se manifestou finalmente. Ficaram ali algum tempo.  Lua  bebendo demais, Arthur apenas um pouco, passando a maior parte do tempo observando-a. 
- Não é engraçado? - De repente, a menina começou a rir. 
- O quê? 
- Não sei – Ela riu ainda mais. Arthur suspirou. 
- Não é melhor a gente ir embora? 
- Ah, agora que a festa ta começando a ficar boa? – Ela pulou da cadeira e começou a sacudir os braços, numa dança muito estranha. 
- É pro seu bem... – Arthur segurou a menina com força pelo braço, que parou imediatamente. Estava meio zonzo, sem muita certeza do que fazia, mas ainda tinha um mínimo controle de seus atos, ao contrário dela. 
- Você é muito chato! 
- Obrigado - Ele a puxou.  Lua  não estava em condições de protestar muito mais. Foram caminhando até a casa dela. A garota meio cambaleante e rindo sozinha, o garoto ainda a segurando e olhando para o chão. 
- Tome um banho e vá dormir, ok? Amanhã eu te ligo... – Arthur falou quando chegaram. 
- Ah, você já vai? – Ela ficou triste de repente e se jogou nos braços dele – Por favor, não me deixe aqui sozinha... 
- Eu tenho que ir... – O rapaz retribuiu o abraço, mas ao dizer aquelas palavras, Lua o soltou. 
- Não tem não! – Ela disse séria, se aproximando. Antes que ele pudesse perceber o queLua  pretendia fazer, ela já o beijava. Arthur quase caiu quando sentiu o peso do corpo dela sob o seu, suas mãos segurando seu rosto com força. Ela o beijava intensamente, com muita paixão. Ele estava totalmente extasiado, se a garota soubesse o quanto ele esperara por aquele momento... Mas não daquela forma. Segurou a menina com cuidado pelos ombros e se afastou. 
- Você não tem noção do que está fazendo, Luinha... Depois vai se arrepender – Virou-se para ir embora, mas ela impediu. 
- Por que acha isso? Eu quero... –  Lua  dava beijinhos no pescoço do garoto, que já não tinha mais certeza sobre aquele mínimo controle de seus atos. 
A garota abriu a porta atrás de si aos tropeços, sem parar de beijá-lo. Entraram e assim seguiram pelo caminho até o quarto dela, trombando e até mesmo derrubando coisas, sem se preocupar que a mãe de  Lua  estava em casa e poderia ouvir alguma coisa. Chegaram ao quarto, mas a menina se enroscou em algo jogado no chão, que ela não pôde ver devido à falta de iluminação, e caiu, levando Arthur consigo. 
- Tudo bem com você? – Ele perguntou, bem próximo ao rosto dela, com uma pontinha de preocupação e de lucidez. Ela não respondeu, apenas voltou a gargalhar – Ok, a gente já foi longe demais, melhor eu ir embora... – Arthur completou tentando sair de cima da garota, mas ela o segurou pela frente da camisa. 
- Não, você não vai... – Disse séria, puxando-o com força e voltando a beijá-lo, enquanto começava a desabotoar a sua blusa. Arthur não conseguia mais resistir.Os meses se passaram sem maiores acontecimentos significativos. Logo, o ano letivo estava prestes a terminar. Arthur se encontrava sentado observando Lua  arrumar algumas flores de plástico sob uma das mesas do ginásio, que estava totalmente decorado em tons de branco, azul e prateado. 

- Você podia me ajudar, né? 
- Por quê? Eu não sou da comissão de formatura... – O garoto se espreguiçou e sorriu. 
- Eu me pergunto todos os dias porque diabos me inscrevi nisso... – Ela suspirou. 
- Atividade extracurricular para ajudá-la a passar de ano? 
- Ah, sim, isso... Obrigada por me lembrar –  Lua  revirou os olhos e ele voltou a sorrir. 
- Você está fazendo um bom trabalho. Está tudo ficando lindo – Arthur informou enquanto olhava cada detalhe ao redor – O baile vai ser perfeito. 
- Espero que sim... – Ela não passou muita certeza enquanto se jogava numa cadeira ao lado dele. 
- Você vem? – Arthur perguntou se ajeitando pra poder vê-la de frente. 
- No baile? Claro que não. 
- Você fez tudo isso e não vai querer ver o resultado? 
- Não. Não venho e fim, você já sabe disso. 
- Se você me der três bons motivos eu aceito. Ou ficarei te atormentando cada segundo até amanhã à noite! – Arthur sorriu sapeca. 
- Hm, deixe-me ver... Um: eu não tenho par. Dois: eu não tenho roupa... – Ela enumerava nos dedos, sem dar realmente importância nenhuma àqueles fatos, estava simplesmente procurando quaisquer motivos – E três: eu não tenho vontade. 
- Um: você vem comigo. Dois: eu compro uma roupa pra você como presente antecipado de... Natal. E três... Tem como não ter vontade de estar ao meu lado? – Ele ergueu as sobrancelhas e ela não pôde deixar de rir. 
- Você não vai me convencer, Aguiar... 
- Ah, eu vou... 
- Eu te odeio! 
- Eu também te amo – Ele riu assim que ouviu as palavras de  Lua . Mas logo ficou sem reação, ao vê-la com o vestido lilás, os cabelos cacheados e a maquiagem realçando a beleza de seu rosto – Nossa, você está linda! 
- Não pense que vai me convencer com esse papo furado, Arthur Aguiar – Ela cruzou os braços e tentou fazer cara de má. 
- Você disse a mesma coisa ontem à tarde... 
- Vamos antes que eu me arrependa, pode ser? –  Lua  respondeu depois de uma pausa, fechando a porta de sua casa. Arthur estendeu o braço e ela aceitou. 
O colégio já estava bastante movimentado. Os dois entraram, ainda de braços dados, no ginásio, que estava ainda mais bonito do que no dia anterior. As pessoas se divertiam e a garota sentiu-se orgulhosa por fazer parte daquilo, se esquecendo por um momento dos motivos de não querer estar ali. 
- Olá, Aguiar! – Um dos amigos do garoto cumprimentou. Estava acompanhado de uma menina que Lua  não reconheceu e parecia um pouco bêbado. – Olá, menina! 
- Oi, menino... – Ela riu. Haviam se acostumado a se tratarem assim. 
- Pensei que você não viria... Achei que te lembraria do... 
- Cala a boca, Rodrigo – Arthur interrompeu antes que ele completasse a frase – Quer dançar,  Lua ? – Acrescentou para que o outro não pudesse falar nenhuma besteira. Ela aceitou, desconfiada. Estava achando cada vez mais estranho o tratamento do menino para com os amigos na frente dela, parecia querer esconder alguma coisa. Mas preferiu não comentar nada, não era muito diferente do que ela mesma fazia. 
A música que tocava era lenta. Quando se aproximaram do palco onde uma banda tocava ao vivo, Arthur segurou, sem jeito, a menina pela cintura. Ela colocou as mãos nos ombros dele e apoiou a cabeça em seu peito. Ficaram apenas assim, em silêncio, até ouvirem uma voz que dizia: 
- É um prazer muito grande estar aqui com vocês! – Era o vocalista do grupo, falando ao microfone. Ao dizer aquelas palavras, as pessoas ali presentes aplaudiram – Infelizmente, por motivos de força maior, a banda que tocaria cancelou a participação. Mas faremos o possível para não deixar a desejar. Vamos lá! 
Começaram a tocar uma música mais animada. Lua  e Arthur, porém, não se moveram. Pelo contrário, ela o abraçou com força. 
- Está tudo bem? – O rapaz se surpreendeu. 
- Aham... – Ela murmurou, mas o apertou ainda mais. Era estranho ver aquela cena em meio a todas as pessoas dançando e gritando, mas eles não se importavam. Na verdade, mal percebiam. – Vamos beber alguma coisa? –  Lua  perguntou de repente, se afastando e puxando-o pelo braço, sem esperar a confirmação. 
- Você não acha que isso é muito forte pra você? – Arthur perguntou vendo a garota virar a bebida que pedira em um só gole. 
- Você não acha que esse baile deveria ser somente para os formandos? – Ela ignorou o comentário dele. 
- Se fosse nós não estaríamos aqui, né? 
- Eu adoraria não estar aqui... –  Lua  foi grossa, mas ele pôde perceber a pontinha de tristeza na voz dela – Mais uma – Pediu ao barman, sentando-se ali. 
Arthur fez o mesmo, apoiando a cabeça nos braços sob o balcão do barzinho. Não queria brigar com Lua  agora, não estava se sentindo muito bem. A cada segundo achava ainda mais péssima a idéia de ter insistido em trazê-la aquele baile. Estava tentando enfrentar os seus medos e ajudá-la a fazer o mesmo. Mas não estava conseguindo. 
- Chega, Luinha... – Ele pediu tirando o copo da mão da garota na terceira ou quarta vez. Bebeu por ela e o colocou bem longe de seu alcance.  Lua  fez bico e cara de choro. 
- Sabe por que eu não queria vir nesse baile? – Ela perguntou – A banda do meu ex-namorado iria tocar... 
- Sério? – Ele tentou parecer interessado. 
- É... E ele tinha me prometido que nesse dia iria me apresentar pros amigos dele. Eu nunca entendi porque ele tentava me “esconder” dos amigos... E nunca vou saber – Ela mordeu o lábio, tentando segurar as lágrimas. Arthur bateu a cabeça com força no balcão, odiava mentir pra ela – O que foi? – Ele não respondeu – Ok, então eu vou voltar a beber. 
- Legal, eu te acompanho... – Ele se manifestou finalmente. Ficaram ali algum tempo.  Lua  bebendo demais, Arthur apenas um pouco, passando a maior parte do tempo observando-a. 
- Não é engraçado? - De repente, a menina começou a rir. 
- O quê? 
- Não sei – Ela riu ainda mais. Arthur suspirou. 
- Não é melhor a gente ir embora? 
- Ah, agora que a festa ta começando a ficar boa? – Ela pulou da cadeira e começou a sacudir os braços, numa dança muito estranha. 
- É pro seu bem... – Arthur segurou a menina com força pelo braço, que parou imediatamente. Estava meio zonzo, sem muita certeza do que fazia, mas ainda tinha um mínimo controle de seus atos, ao contrário dela. 
- Você é muito chato! 
- Obrigado - Ele a puxou.  Lua  não estava em condições de protestar muito mais. Foram caminhando até a casa dela. A garota meio cambaleante e rindo sozinha, o garoto ainda a segurando e olhando para o chão. 
- Tome um banho e vá dormir, ok? Amanhã eu te ligo... – Arthur falou quando chegaram. 
- Ah, você já vai? – Ela ficou triste de repente e se jogou nos braços dele – Por favor, não me deixe aqui sozinha... 
- Eu tenho que ir... – O rapaz retribuiu o abraço, mas ao dizer aquelas palavras, Lua o soltou. 
- Não tem não! – Ela disse séria, se aproximando. Antes que ele pudesse perceber o queLua  pretendia fazer, ela já o beijava. Arthur quase caiu quando sentiu o peso do corpo dela sob o seu, suas mãos segurando seu rosto com força. Ela o beijava intensamente, com muita paixão. Ele estava totalmente extasiado, se a garota soubesse o quanto ele esperara por aquele momento... Mas não daquela forma. Segurou a menina com cuidado pelos ombros e se afastou. 
- Você não tem noção do que está fazendo, Luinha... Depois vai se arrepender – Virou-se para ir embora, mas ela impediu. 
- Por que acha isso? Eu quero... –  Lua  dava beijinhos no pescoço do garoto, que já não tinha mais certeza sobre aquele mínimo controle de seus atos. 
A garota abriu a porta atrás de si aos tropeços, sem parar de beijá-lo. Entraram e assim seguiram pelo caminho até o quarto dela, trombando e até mesmo derrubando coisas, sem se preocupar que a mãe de  Lua  estava em casa e poderia ouvir alguma coisa. Chegaram ao quarto, mas a menina se enroscou em algo jogado no chão, que ela não pôde ver devido à falta de iluminação, e caiu, levando Arthur consigo. 
- Tudo bem com você? – Ele perguntou, bem próximo ao rosto dela, com uma pontinha de preocupação e de lucidez. Ela não respondeu, apenas voltou a gargalhar – Ok, a gente já foi longe demais, melhor eu ir embora... – Arthur completou tentando sair de cima da garota, mas ela o segurou pela frente da camisa. 
- Não, você não vai... – Disse séria, puxando-o com força e voltando a beijá-lo, enquanto começava a desabotoar a sua blusa. Arthur não conseguia mais resistir.Os meses se passaram sem maiores acontecimentos significativos. Logo, o ano letivo estava prestes a terminar. Arthur se encontrava sentado observando Lua  arrumar algumas flores de plástico sob uma das mesas do ginásio, que estava totalmente decorado em tons de branco, azul e prateado. 

- Você podia me ajudar, né? 
- Por quê? Eu não sou da comissão de formatura... – O garoto se espreguiçou e sorriu. 
- Eu me pergunto todos os dias porque diabos me inscrevi nisso... – Ela suspirou. 
- Atividade extracurricular para ajudá-la a passar de ano? 
- Ah, sim, isso... Obrigada por me lembrar –  Lua  revirou os olhos e ele voltou a sorrir. 
- Você está fazendo um bom trabalho. Está tudo ficando lindo – Arthur informou enquanto olhava cada detalhe ao redor – O baile vai ser perfeito. 
- Espero que sim... – Ela não passou muita certeza enquanto se jogava numa cadeira ao lado dele. 
- Você vem? – Arthur perguntou se ajeitando pra poder vê-la de frente. 
- No baile? Claro que não. 
- Você fez tudo isso e não vai querer ver o resultado? 
- Não. Não venho e fim, você já sabe disso. 
- Se você me der três bons motivos eu aceito. Ou ficarei te atormentando cada segundo até amanhã à noite! – Arthur sorriu sapeca. 
- Hm, deixe-me ver... Um: eu não tenho par. Dois: eu não tenho roupa... – Ela enumerava nos dedos, sem dar realmente importância nenhuma àqueles fatos, estava simplesmente procurando quaisquer motivos – E três: eu não tenho vontade. 
- Um: você vem comigo. Dois: eu compro uma roupa pra você como presente antecipado de... Natal. E três... Tem como não ter vontade de estar ao meu lado? – Ele ergueu as sobrancelhas e ela não pôde deixar de rir. 
- Você não vai me convencer, Aguiar... 
- Ah, eu vou... 
- Eu te odeio! 
- Eu também te amo – Ele riu assim que ouviu as palavras de  Lua . Mas logo ficou sem reação, ao vê-la com o vestido lilás, os cabelos cacheados e a maquiagem realçando a beleza de seu rosto – Nossa, você está linda! 
- Não pense que vai me convencer com esse papo furado, Arthur Aguiar – Ela cruzou os braços e tentou fazer cara de má. 
- Você disse a mesma coisa ontem à tarde... 
- Vamos antes que eu me arrependa, pode ser? –  Lua  respondeu depois de uma pausa, fechando a porta de sua casa. Arthur estendeu o braço e ela aceitou. 
O colégio já estava bastante movimentado. Os dois entraram, ainda de braços dados, no ginásio, que estava ainda mais bonito do que no dia anterior. As pessoas se divertiam e a garota sentiu-se orgulhosa por fazer parte daquilo, se esquecendo por um momento dos motivos de não querer estar ali. 
- Olá, Aguiar! – Um dos amigos do garoto cumprimentou. Estava acompanhado de uma menina que Lua  não reconheceu e parecia um pouco bêbado. – Olá, menina! 
- Oi, menino... – Ela riu. Haviam se acostumado a se tratarem assim. 
- Pensei que você não viria... Achei que te lembraria do... 
- Cala a boca, Rodrigo – Arthur interrompeu antes que ele completasse a frase – Quer dançar,  Lua ? – Acrescentou para que o outro não pudesse falar nenhuma besteira. Ela aceitou, desconfiada. Estava achando cada vez mais estranho o tratamento do menino para com os amigos na frente dela, parecia querer esconder alguma coisa. Mas preferiu não comentar nada, não era muito diferente do que ela mesma fazia. 
A música que tocava era lenta. Quando se aproximaram do palco onde uma banda tocava ao vivo, Arthur segurou, sem jeito, a menina pela cintura. Ela colocou as mãos nos ombros dele e apoiou a cabeça em seu peito. Ficaram apenas assim, em silêncio, até ouvirem uma voz que dizia: 
- É um prazer muito grande estar aqui com vocês! – Era o vocalista do grupo, falando ao microfone. Ao dizer aquelas palavras, as pessoas ali presentes aplaudiram – Infelizmente, por motivos de força maior, a banda que tocaria cancelou a participação. Mas faremos o possível para não deixar a desejar. Vamos lá! 
Começaram a tocar uma música mais animada. Lua  e Arthur, porém, não se moveram. Pelo contrário, ela o abraçou com força. 
- Está tudo bem? – O rapaz se surpreendeu. 
- Aham... – Ela murmurou, mas o apertou ainda mais. Era estranho ver aquela cena em meio a todas as pessoas dançando e gritando, mas eles não se importavam. Na verdade, mal percebiam. – Vamos beber alguma coisa? –  Lua  perguntou de repente, se afastando e puxando-o pelo braço, sem esperar a confirmação. 
- Você não acha que isso é muito forte pra você? – Arthur perguntou vendo a garota virar a bebida que pedira em um só gole. 
- Você não acha que esse baile deveria ser somente para os formandos? – Ela ignorou o comentário dele. 
- Se fosse nós não estaríamos aqui, né? 
- Eu adoraria não estar aqui... –  Lua  foi grossa, mas ele pôde perceber a pontinha de tristeza na voz dela – Mais uma – Pediu ao barman, sentando-se ali. 
Arthur fez o mesmo, apoiando a cabeça nos braços sob o balcão do barzinho. Não queria brigar com Lua  agora, não estava se sentindo muito bem. A cada segundo achava ainda mais péssima a idéia de ter insistido em trazê-la aquele baile. Estava tentando enfrentar os seus medos e ajudá-la a fazer o mesmo. Mas não estava conseguindo. 
- Chega, Luinha... – Ele pediu tirando o copo da mão da garota na terceira ou quarta vez. Bebeu por ela e o colocou bem longe de seu alcance.  Lua  fez bico e cara de choro. 
- Sabe por que eu não queria vir nesse baile? – Ela perguntou – A banda do meu ex-namorado iria tocar... 
- Sério? – Ele tentou parecer interessado. 
- É... E ele tinha me prometido que nesse dia iria me apresentar pros amigos dele. Eu nunca entendi porque ele tentava me “esconder” dos amigos... E nunca vou saber – Ela mordeu o lábio, tentando segurar as lágrimas. Arthur bateu a cabeça com força no balcão, odiava mentir pra ela – O que foi? – Ele não respondeu – Ok, então eu vou voltar a beber. 
- Legal, eu te acompanho... – Ele se manifestou finalmente. Ficaram ali algum tempo.  Lua  bebendo demais, Arthur apenas um pouco, passando a maior parte do tempo observando-a. 
- Não é engraçado? - De repente, a menina começou a rir. 
- O quê? 
- Não sei – Ela riu ainda mais. Arthur suspirou. 
- Não é melhor a gente ir embora? 
- Ah, agora que a festa ta começando a ficar boa? – Ela pulou da cadeira e começou a sacudir os braços, numa dança muito estranha. 
- É pro seu bem... – Arthur segurou a menina com força pelo braço, que parou imediatamente. Estava meio zonzo, sem muita certeza do que fazia, mas ainda tinha um mínimo controle de seus atos, ao contrário dela. 
- Você é muito chato! 
- Obrigado - Ele a puxou.  Lua  não estava em condições de protestar muito mais. Foram caminhando até a casa dela. A garota meio cambaleante e rindo sozinha, o garoto ainda a segurando e olhando para o chão. 
- Tome um banho e vá dormir, ok? Amanhã eu te ligo... – Arthur falou quando chegaram. 
- Ah, você já vai? – Ela ficou triste de repente e se jogou nos braços dele – Por favor, não me deixe aqui sozinha... 
- Eu tenho que ir... – O rapaz retribuiu o abraço, mas ao dizer aquelas palavras, Lua o soltou. 
- Não tem não! – Ela disse séria, se aproximando. Antes que ele pudesse perceber o queLua  pretendia fazer, ela já o beijava. Arthur quase caiu quando sentiu o peso do corpo dela sob o seu, suas mãos segurando seu rosto com força. Ela o beijava intensamente, com muita paixão. Ele estava totalmente extasiado, se a garota soubesse o quanto ele esperara por aquele momento... Mas não daquela forma. Segurou a menina com cuidado pelos ombros e se afastou. 
- Você não tem noção do que está fazendo, Luinha... Depois vai se arrepender – Virou-se para ir embora, mas ela impediu. 
- Por que acha isso? Eu quero... –  Lua  dava beijinhos no pescoço do garoto, que já não tinha mais certeza sobre aquele mínimo controle de seus atos. 
A garota abriu a porta atrás de si aos tropeços, sem parar de beijá-lo. Entraram e assim seguiram pelo caminho até o quarto dela, trombando e até mesmo derrubando coisas, sem se preocupar que a mãe de  Lua  estava em casa e poderia ouvir alguma coisa. Chegaram ao quarto, mas a menina se enroscou em algo jogado no chão, que ela não pôde ver devido à falta de iluminação, e caiu, levando Arthur consigo. 
- Tudo bem com você? – Ele perguntou, bem próximo ao rosto dela, com uma pontinha de preocupação e de lucidez. Ela não respondeu, apenas voltou a gargalhar – Ok, a gente já foi longe demais, melhor eu ir embora... – Arthur completou tentando sair de cima da garota, mas ela o segurou pela frente da camisa. 
- Não, você não vai... – Disse séria, puxando-o com força e voltando a beijá-lo, enquanto começava a desabotoar a sua blusa. Arthur não conseguia mais resistir.

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